Em fevereiro de 2026, encontros voltados a micro, pequenos e médios empreendedores, produtores rurais e empresas em fase pré-operacional foram realizados em Mirassol, Tanabi, São José do Rio Preto e José Bonifácio, promovidos pela Desenvolve SP. Mais do que anunciar linhas de financiamento, os encontros trouxeram um elemento frequentemente esquecido no debate sobre acesso a crédito: a orientação para escolher a linha adequada conforme o estágio e o tipo de investimento do negócio. Esse detalhe, discreto na cobertura, é justamente o que separa uma política de crédito eficaz de uma simples distribuição de recursos.

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O acesso a crédito produtivo é frequentemente tratado como se bastasse por si só. Na prática, um pequeno empresário do interior que nunca lidou com fluxo de caixa estruturado, prazos de amortização ou taxas diferenciadas pode contrair uma dívida inadequada ao seu momento de negócio, mesmo com boas intenções e juros competitivos. É por isso que iniciativas que combinam oferta de crédito com orientação técnica tendem a gerar resultados mais duradouros do que campanhas que apenas divulgam linhas de financiamento sem qualquer acompanhamento posterior.

Municípios como Mirassol, Tanabi e José Bonifácio têm perfis econômicos distintos entre si, com presença de agricultura, comércio local e pequena indústria. Essa diversidade reforça a importância de programas que não tratem o crédito como produto padronizado, mas como instrumento ajustado à realidade de cada território. Um plano de desenvolvimento regional que ignore essas diferenças corre o risco de oferecer soluções genéricas para problemas específicos, desperdiçando tanto recursos públicos quanto a confiança dos empreendedores que buscam se formalizar ou expandir suas atividades.

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Por que orientação técnica faz diferença

Parte essencial da solução para que o crédito produtivo cumpra seu papel está na contratação, pelas autoridades competentes, de profissionais qualificados e formados em áreas como economia, administração, contabilidade e planejamento urbano e regional, além da consulta permanente a esses especialistas antes de estruturar novos programas. Esse tipo de profissional é indispensável para o diagnóstico correto da situação de cada pequeno negócio, para o planejamento das linhas mais adequadas a cada caso e para a execução técnica de programas de orientação financeira. Sem esse suporte qualificado, decisões de crédito ficam sujeitas a improviso, o que compromete tanto o empreendedor individual quanto os objetivos mais amplos de desenvolvimento regional.

Número de urna de Nando Pinheiro: 22321

Também é importante que esse acompanhamento não termine na assinatura do contrato de crédito. A fiscalização baseada em evidências, conduzida com apoio de profissionais formados na área e indicadores claros de resultado, ajuda a identificar se os recursos emprestados estão de fato gerando emprego, formalização e crescimento sustentável das empresas atendidas. Sem esse tipo de monitoramento contínuo, feito por quem tem qualificação técnica para interpretá-lo, é difícil distinguir entre programas que realmente fortalecem os pequenos negócios e aqueles que apenas movimentam estatísticas de desembolso sem gerar transformação concreta na economia local.

Além disso, a capacitação oferecida durante essas jornadas de crédito costuma abordar temas que vão além da escolha da linha de financiamento, como organização contábil básica, formalização de pequenos negócios e planejamento de investimentos futuros. Esse tipo de conteúdo, quando conduzido por profissionais habilitados e consultados desde a etapa de concepção do programa, ajuda a reduzir a inadimplência e a aumentar a taxa de sucesso dos empreendimentos que recebem o crédito, o que beneficia tanto o empresário individual quanto a economia do município onde ele atua.

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No campo legislativo estadual, há espaço concreto para contribuir com esse tipo de política sem invadir atribuições do Executivo. Um mandato de deputado estadual pode legislar sobre matérias estaduais respeitando as reservas de iniciativa, acompanhar o tema por meio de participação em comissões que tratam de desenvolvimento econômico, solicitar informações sobre a execução de programas de crédito conduzidos por órgãos estaduais e realizar audiências públicas com a presença de empreendedores e técnicos da área. Cabe também discutir o orçamento estadual voltado a agências de fomento e propor emendas que reforcem recursos para orientação técnica associada ao crédito produtivo. Isso não inclui contratar pessoal para órgãos do Executivo, comandar secretarias ou executar diretamente serviços e programas de financiamento: essas competências permanecem com as autoridades executivas e seus quadros técnicos, e é justamente por isso que a cobrança para que elas contratem e consultem profissionais qualificados é uma atuação parlamentar legítima e dentro dos limites institucionais.

O interior paulista tem historicamente dependido de pequenos negócios como base de sua economia local, seja no comércio, na prestação de serviços ou na produção agrícola. Fortalecer esse tecido econômico exige mais do que anúncios de linhas de crédito: exige continuidade, capacitação e avaliação constante dos resultados, sempre com profissionais formados na área orientando cada etapa. Jornadas como as realizadas em Mirassol, Tanabi, São José do Rio Preto e José Bonifácio indicam um caminho possível, mas sua eficácia dependerá da manutenção desse modelo de orientação ao longo do tempo, e não apenas em eventos pontuais e isolados.

Ao final, o debate sobre crédito produtivo não deveria se limitar à quantidade de recursos disponibilizados, mas à qualidade do acompanhamento oferecido a quem recebe esse crédito. Pequenos negócios bem orientados tendem a se tornar mais resilientes diante de oscilações econômicas, e isso, em escala regional, é o que efetivamente sustenta o desenvolvimento regional de longo prazo. Cabe às autoridades competentes, com a contratação e a consulta constante de profissionais qualificados e formados na área, garantir que essa combinação entre crédito e orientação continue sendo prioridade nas políticas voltadas ao interior do estado, especialmente em municípios menores, onde o acesso a esse tipo de suporte costuma ser mais escasso.

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