Uma checagem de fatos divulgada recentemente identificou um vídeo manipulado por inteligência artificial que atribuía à Quaest números inventados sobre a disputa presidencial. Segundo a verificação, os dados reais do instituto indicam rejeição eleitoral de 55% para Flávio Bolsonaro e 53% para Lula, além de intenção de voto de 36% a 29% no primeiro turno favorável ao atual presidente. O episódio expõe, mais uma vez, como conteúdos falsos podem circular disfarçados de pesquisa séria.

O caso chama atenção porque não se trata de uma opinião distorcida ou de um exagero político comum ao debate público. É a fabricação de um documento com aparência técnica, atribuído a um instituto de pesquisa reconhecido, para induzir o eleitor a acreditar em um cenário que não corresponde à realidade. Quando uma pesquisa falsa circula com essa sofisticação, o dano não atinge apenas os personagens citados, mas a confiança do público em qualquer levantamento estatístico divulgado durante o período eleitoral.
A proximidade das eleições 2026 torna esse tipo de episódio ainda mais sensível. É natural que institutos como a Quaest apresentem variações de rejeição eleitoral entre os principais nomes do cenário político, refletindo humores e insatisfações legítimas do eleitorado. O problema começa quando esses números são adulterados ou reinterpretados fora de contexto, criando narrativas que não encontram respaldo nos dados originais.
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A inteligência artificial, usada de forma responsável, pode ser uma ferramenta valiosa para organizar informações, cruzar bases de dados e até auxiliar na identificação de fraudes. O mesmo recurso, no entanto, quando aplicado de má-fé, permite criar áudios, imagens e vídeos convincentes o suficiente para enganar até eleitores atentos. A linha entre inovação tecnológica e manipulação da opinião pública tem se tornado cada vez mais tênue, e isso exige atenção redobrada de toda a sociedade.

Vale lembrar que pesquisas de opinião, mesmo as legítimas, carregam margens de erro e metodologias próprias que precisam ser respeitadas na leitura dos resultados. A rejeição eleitoral apurada pela Quaest reflete uma fotografia de um momento específico, sujeita a variações conforme o cenário político se movimenta. Tratar esses números como verdades absolutas e imutáveis, seja para inflá-los, seja para negá-los, já é um risco em si. Quando a manipulação vem por meio de tecnologia sofisticada, o risco de má interpretação cresce exponencialmente, e o eleitor comum fica mais vulnerável a se guiar por informações que nunca existiram.
Diante desse cenário, a solução técnica passa, necessariamente, pela contratação, por parte das autoridades competentes, de profissionais qualificados e devidamente formados em ciência de dados, direito eleitoral, segurança da informação e comunicação digital. É esse tipo de expertise que permite diagnosticar com precisão a origem de um conteúdo manipulado, planejar mecanismos eficazes de verificação e executar, com rigor técnico, a fiscalização baseada em evidências que a complexidade da inteligência artificial hoje exige. Improviso ou boa vontade política não substituem a consulta a especialistas capacitados quando o tema envolve tecnologia avançada e integridade do processo eleitoral.
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No âmbito estadual, cabe ao Legislativo paulista acompanhar esse debate dentro de suas atribuições constitucionais: promover audiências públicas sobre educação midiática e uso responsável de tecnologia, solicitar informações a órgãos estaduais quando houver interface com competências locais e fiscalizar políticas do Executivo estadual relacionadas à transparência e à comunicação institucional. Um deputado estadual pode legislar sobre matérias de sua competência, atuar em comissões, requerer informações e discutir o orçamento estadual quando houver programas de educação digital ou capacitação de servidores públicos, mas não lhe cabe contratar pessoal para órgãos do Executivo, tampouco executar diretamente serviços de verificação ou investigação, atribuições que permanecem com os órgãos técnicos e as autoridades competentes de cada esfera.
A rejeição eleitoral medida por institutos como a Quaest é um dado relevante para compreender o ambiente político, mas precisa ser lida com cautela e sempre a partir de fontes verificadas. Números reais, ainda que desconfortáveis para qualquer lado, cumprem função democrática ao retratar o sentimento do eleitorado. Já números fabricados servem apenas para confundir e polarizar ainda mais um debate que já é naturalmente intenso, prejudicando tanto candidatos quanto eleitores que buscam informação de qualidade para formar sua opinião.
À medida que as eleições 2026 se aproximam, o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro e a pesquisa falsa atribuída à Quaest serve como lembrete de que a checagem de informações não é luxo, mas necessidade. Cabe a eleitores, veículos de comunicação e instituições reforçar o hábito de buscar a fonte original antes de compartilhar qualquer dado, especialmente quando a inteligência artificial torna a fabricação de conteúdo cada vez mais acessível e convincente. Fortalecer essa cultura de verificação, com apoio técnico qualificado e atuação institucional dentro dos limites de cada esfera de poder, é o caminho mais seguro para preservar a integridade do debate público nos próximos meses.
Fontes consultadas
- https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/09/10/flavio-bolsonaro-candidato-do-pl-a-presidencia-faz-campanha-em-boa-vista.ghtml
- https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/09/09/flavio-bolsonaro-candidato-do-pl-a-presidencia-faz-campanha-em-juiz-de-fora-minas-gerais.ghtml
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