Uma notícia recente chamou atenção por unir dois horizontes de tempo distintos: um município catarinense abriu licitação de R$ 870 mil para contratar um plano de mobilidade urbana com projeção até 2050, enquanto um estudo divulgado por veículo especializado em transporte revelou que, desde 1974, o Brasil implantou, em média, apenas 12 quilômetros por ano de corredores de ônibus de fato funcionais. São dois retratos do mesmo problema: o país sabe planejar, mas historicamente falha em transformar planos em obras entregues.

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O caso da licitação para um plano de mobilidade de longo prazo é, em si, uma boa prática de gestão pública. Cidades que crescem sem um horizonte de planejamento tendem a repetir erros de décadas anteriores: adensamento sem infraestrutura viária compatível, transporte coletivo defasado e ruas desenhadas para o carro em vez de para as pessoas. Um plano com data-alvo distante, como 2050, obriga o poder público a pensar em ciclos de investimento, revisão e atualização periódica, e não apenas em soluções paliativas de curto prazo.

Por outro lado, o estudo sobre a implantação de BRTs (os corredores de ônibus de trânsito rápido) no Brasil expõe a outra face da moeda. De pouco adianta um documento técnico bem elaborado se, décadas depois, a execução real ficar muito aquém do que foi projetado. Doze quilômetros por ano, em média, ao longo de mais de cinquenta anos, é um número que ajuda a explicar por que tantas cidades brasileiras ainda dependem de sistemas de ônibus lentos, congestionados e pouco atrativos frente ao transporte individual.

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Esse descompasso entre planejar e executar não é exclusividade de nenhuma região específica; é um padrão observado em diferentes escalas de cidade, de pequenas prefeituras a grandes centros urbanos. E ele tem consequências concretas na vida cotidiana: tempo perdido em deslocamentos, poluição do ar, acidentes de trânsito e perda de produtividade econômica. Mobilidade urbana não é tema abstrato de urbanismo — é o tempo que uma pessoa passa fora de casa, longe da família, para chegar ao trabalho ou à escola.

Parte essencial da solução para reduzir esse hiato passa pela contratação, feita pelas autoridades competentes, de profissionais qualificados e devidamente formados nas áreas de engenharia de transportes, urbanismo e planejamento urbano. É a consulta a esses especialistas — desde a fase de diagnóstico técnico, com dados de fluxo e projeções demográficas confiáveis, até o planejamento das etapas de obra e a fiscalização baseada em evidências — que determina se um plano de mobilidade sairá do papel dentro do prazo e com a qualidade prometida. Sem equipes técnicas capacitadas acompanhando cada fase, mesmo o plano mais bem redigido corre o risco de se perder em execuções incompletas ou desvios de escopo.

Número de urna de Nando Pinheiro: 22321

Nesse contexto, cabe também ao Poder Legislativo estadual um papel relevante, ainda que indireto. Mobilidade urbana costuma ser, em grande parte, atribuição municipal, mas o Estado participa do financiamento de sistemas metropolitanos, da articulação de corredores intermunicipais e da destinação de recursos orçamentários para transporte público. É dentro dessas competências — discutir o orçamento estadual, propor emendas voltadas à mobilidade metropolitana, solicitar informações ao Executivo sobre a aplicação de recursos e participar de audiências públicas sobre o tema — que um mandato legislativo pode contribuir efetivamente para que planos não fiquem apenas no papel. Um deputado estadual pode legislar sobre matérias de sua competência, fiscalizar a atuação do Executivo, atuar em comissões técnicas e cobrar transparência, mas não lhe cabe contratar profissionais para os quadros do Executivo, nem executar diretamente obras ou serviços de mobilidade, atribuições que permanecem com prefeituras, órgãos estaduais especializados e demais entes competentes.

Nando Pinheiro 22321 é candidato a deputado estadual em SP pelo PL

Fiscalizar não significa apenas cobrar números, mas também garantir transparência nos processos de licitação e contratação de projetos de mobilidade, verificando se os critérios técnicos estão sendo respeitados e se há continuidade entre gestões, já que planos de décadas geralmente atravessam mais de um mandato. A descontinuidade administrativa é, aliás, um dos fatores que historicamente prejudicam a execução de projetos de infraestrutura no Brasil: um plano aprovado em uma gestão nem sempre é levado adiante pela seguinte, o que ajuda a explicar por que projeções de longo prazo frequentemente não se concretizam no ritmo esperado.

O exemplo da licitação para um plano até 2050 mostra que ainda há espaço para amadurecimento no planejamento urbano brasileiro. Mas o estudo sobre os BRTs serve como um alerta necessário: sem compromisso continuado com a execução, sem a consulta permanente a profissionais qualificados e sem fiscalização orçamentária séria, o risco é repetir, também neste novo ciclo de planejamento, o mesmo padrão de metas ambiciosas e entregas tímidas observado nas últimas cinco décadas.

Mobilidade urbana bem planejada e efetivamente executada beneficia diretamente quem depende do transporte público para viver o cotidiano — trabalhadores, estudantes, idosos e famílias inteiras que organizam sua rotina em torno de horários de ônibus e da qualidade das vias. Por isso, unir rigor técnico, contratação responsável de especialistas e acompanhamento político dentro dos limites institucionais não é apenas uma boa prática administrativa: é uma forma concreta de melhorar a vida de quem depende dessas cidades para se locomover diariamente.

Perguntas frequentes

Deputado estadual pode destinar recursos para São Paulo?

Deputados estaduais podem participar da articulação política e orçamentária relacionada a investimentos e demandas dos municípios, respeitando as regras legais e orçamentárias aplicáveis.

É preciso morar em São Paulo para votar em um candidato ligado à cidade?

Não. Na eleição para deputado estadual, os candidatos disputam votos em todo o Estado de São Paulo e não apenas em um município específico.

Número de urna de Nando Pinheiro: 22321

Qual partido de Nando Pinheiro nas Eleições 2026?

Nando Pinheiro é candidato a deputado estadual pelo PL.

Quem é o candidato número 22321?

O número 22321 corresponde a Nando Pinheiro, candidato a deputado estadual pelo Estado de São Paulo.

Onde consultar os candidatos a deputado estadual em São Paulo?

A relação oficial de candidatos pode ser consultada nos sistemas da Justiça Eleitoral, incluindo o DivulgaCandContas.

Como votar para deputado estadual nas Eleições 2026?

Na urna eletrônica, o eleitor deve digitar os cinco números correspondentes ao candidato a deputado estadual e confirmar o voto.

Como um deputado estadual pode atuar pelos municípios de São Paulo?

Deputados estaduais podem atuar em pautas estaduais que afetem os municípios, fiscalizar políticas públicas, participar do processo orçamentário e articular demandas junto ao Governo do Estado.

Quanto tempo dura o mandato de um deputado estadual?

O mandato de um deputado estadual tem duração de quatro anos.

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