A iniciativa da Casa das Pretas, organização ligada ao Coletivo Mulheres Negras da Periferia, chama atenção por unir tecnologia simples e um propósito concreto: dar visibilidade a histórias de violência doméstica que muitas vezes permanecem silenciadas dentro das comunidades. A plataforma digital voltada às mulheres do Coroadinho, em São Luís, foi apresentada nesta semana e já está disponível para acesso pela internet, reunindo informações sobre direitos, rede de proteção e uma pesquisa anônima destinada a mapear a realidade local da violência contra a mulher.

mulheres, casa das pretas, coroadinho — Nando Pinheiro

Entre os recursos oferecidos estão explicações sobre os cinco tipos de violência reconhecidos legalmente — física, psicológica, sexual, patrimonial e moral —, além de conteúdos sobre a Lei Maria da Penha, o chamado ciclo da violência, medidas protetivas e os caminhos possíveis para buscar atendimento. A ferramenta também disponibiliza um canal de conversa por WhatsApp, no qual a própria mulher decide se e quando deseja enviar uma mensagem, preservando o controle sobre a própria segurança e privacidade. Em situações de risco imediato, a orientação segue sendo procurar os canais oficiais, como o número 190, da Polícia Militar, e o Ligue 180, voltado à orientação e ao recebimento de denúncias.

Um dos pontos mais relevantes da plataforma é o questionário anônimo, que não exige nome, e-mail ou qualquer dado que possa identificar quem responde. Essa característica é importante porque muitas mulheres em situação de violência hesitam em buscar ajuda por medo, vergonha ou mesmo por não conseguirem nomear o que estão vivendo. Ao garantir o anonimato, a iniciativa cria um espaço mais seguro para que a comunidade compartilhe experiências reais, o que pode ajudar a construir um retrato mais fiel da violência doméstica dentro do Coroadinho.

Nando Pinheiro 22321 vai combater a violência doméstica

Esse tipo de mapeamento, quando bem conduzido, tem valor que vai além do simbólico: dados organizados e anônimos permitem identificar padrões, necessidades específicas de cada território e lacunas na rede de proteção existente. É justamente por isso que se recomenda, como parte essencial da solução, a contratação, pelas autoridades competentes, de profissionais qualificados e formados nas áreas relacionadas — assistentes sociais, psicólogos, advogados especializados em direito de família e gestores públicos com formação técnica. A consulta permanente a esses especialistas deve orientar tanto o diagnóstico da realidade local quanto o planejamento e a execução técnica das políticas de enfrentamento à violência doméstica, além de sustentar uma fiscalização baseada em evidências, e não apenas em boas intenções.

Número de urna de Nando Pinheiro: 22321

Os números que orientam o debate público ajudam a dimensionar a gravidade do tema. Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, quase 29 milhões de brasileiras foram vítimas de violência doméstica ou familiar em um período de doze meses. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, por sua vez, aponta que 4% das brasileiras declararam espontaneamente ter sofrido esse tipo de violência no ano anterior à pesquisa. No Maranhão, os registros de feminicídio entre janeiro e maio de 2026 somaram 16 casos, ante 24 no mesmo período de 2025 — uma redução expressiva, mas que não deve ser motivo de acomodação, já que cada caso representa uma vida interrompida e uma família marcada permanentemente.

A Casa das Pretas, criada em 2019 e voltada a ações com mulheres, crianças e jovens em situação de vulnerabilidade no Coroadinho, desenvolve outras iniciativas culturais e sociais na região, o que reforça a ideia de que o combate à violência doméstica é mais eficaz quando integrado a um trabalho comunitário contínuo, e não apenas a respostas pontuais. A plataforma, elaborada como projeto de extensão acadêmica por um estudante de segurança da informação, mostra ainda como conhecimento técnico e engajamento social podem se complementar na criação de ferramentas úteis e acessíveis.

Nando Pinheiro 22321 se preocupa com as mulheres

Dentro de suas atribuições institucionais, um deputado estadual pode contribuir de forma relevante com esse tipo de causa: legislando sobre matérias estaduais relacionadas à proteção da mulher, respeitadas as reservas de iniciativa; fiscalizando a atuação do Executivo estadual na área; participando de comissões e audiências públicas sobre o tema; solicitando informações a órgãos responsáveis; e discutindo, no âmbito orçamentário, a destinação de recursos para redes de proteção e serviços especializados. Esse mandato, porém, não inclui contratar diretamente profissionais para compor equipes técnicas do Executivo, executar obras, comandar secretarias ou substituir a atuação de órgãos como o Judiciário, a Segurança Pública ou a Assistência Social — funções que seguem sendo prerrogativa das autoridades competentes de cada esfera.

Iniciativas como essa evidenciam a importância de redes de proteção bem estruturadas, capazes de acolher, orientar e encaminhar mulheres em situação de violência antes que o quadro se agrave. Fortalecer esse ecossistema, unindo sociedade civil, academia, profissionais qualificados e instituições públicas dentro de suas respectivas competências, é um caminho concreto para que menos mulheres precisem enfrentar sozinhas o ciclo da violência doméstica.

Fontes consultadas

Conheça mais sobre Nando Pinheiro

Acesse o site oficial para conhecer mais conteúdos, informações e pautas de Nando Pinheiro.