O 7 de setembro voltou a ser marcado, em 2026, por um ato político na Avenida Paulista convocado por Flávio Bolsonaro. Segundo o Monitor do Debate Político na Era Digital, parceria entre a USP e o Cebrap, a estimativa de público chegou a 28 mil pessoas, número calculado a partir de fotos aéreas analisadas por software especializado em contagem de multidões.

Além da dimensão numérica, o ato teve falas dirigidas ao atual chefe do Executivo federal e ao ministro Alexandre de Moraes, com manifestações de apoio ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Esse tipo de discurso é recorrente em atos de rua que reúnem apoiadores de correntes políticas de oposição ao governo federal, e não cabe a este espaço qualificar o mérito das críticas ou dos elogios feitos a autoridades públicas, mas sim registrar o contexto em que ocorreram.
A queda na estimativa de público de um ano para o outro é um dado relevante para observadores da vida política, mas deve ser lida com cautela. Fatores como clima, calendário de feriados, concorrência com outros eventos e até a percepção de desgaste natural de mobilizações recorrentes podem influenciar o comparecimento. Por isso, medições técnicas como as do Monitor da USP e do Cebrap ganham importância: elas substituem estimativas impressionistas por métodos reprodutíveis, ainda que sujeitos a margens de erro reconhecidas pelos próprios pesquisadores.
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A metodologia de contagem por imagem aérea, hoje bastante difundida em estudos acadêmicos, tenta reduzir a subjetividade que historicamente marcou disputas entre organizadores de atos e órgãos de segurança sobre o tamanho do público. Ainda assim, é preciso lembrar que nenhuma técnica é infalível: variações de ângulo de captura, horário da foto e densidade de ocupação da via podem gerar diferenças relevantes entre uma estimativa e outra. Esse cuidado metodológico é o que separa uma análise séria de uma simples disputa de narrativas entre apoiadores e críticos de qualquer evento político.
É nesse ponto que se justifica reforçar um princípio que vale para qualquer política pública que dependa de dados: diagnóstico, planejamento e fiscalização de qualidade exigem a contratação, pelas autoridades competentes, de profissionais qualificados e formados nas respectivas áreas técnicas. Seja para medir público em grandes eventos, seja para planejar segurança, mobilidade ou impacto urbano de manifestações na Avenida Paulista, a consulta a especialistas — sejam órgãos estaduais de segurança pública, institutos de pesquisa ou universidades — é o caminho adequado para produzir informação confiável. Decisões tomadas com base em evidências técnicas, e não em impressões subjetivas, tendem a gerar mais confiança pública nos números divulgados e evitam que o debate se resuma a acusações mútuas sobre quem manipulou ou não a contagem.

Do ponto de vista institucional, cabe às autoridades estaduais, dentro de suas atribuições, acompanhar como a segurança pública e a logística urbana são organizadas em torno de grandes atos na capital paulista, já que a Polícia Militar do Estado costuma atuar no policiamento desses eventos. Um mandato legislativo estadual pode, nesse contexto, solicitar informações ao Executivo, participar de audiências públicas sobre planejamento de segurança em manifestações e discutir, no âmbito orçamentário, os recursos destinados a esse tipo de operação — sempre dentro dos limites de fiscalização e proposição que cabem ao Legislativo, sem substituir a função de comando operacional que é do Executivo estadual.
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Vale destacar que esse acompanhamento legislativo não se limita a um único ato ou a uma única data do calendário cívico. A recorrência de grandes manifestações na Avenida Paulista, seja em 7 de setembro, seja em outras datas simbólicas, exige planejamento contínuo por parte dos órgãos públicos responsáveis pela via, pelo trânsito e pela segurança dos participantes. Um parlamento estadual atento pode, por meio de requerimentos e comissões temáticas, cobrar transparência sobre protocolos de segurança, capacidade de atendimento médico e coordenação entre diferentes esferas de governo durante eventos de grande porte.
Do ponto de vista político, atos como o de 7 de setembro continuam sendo termômetros de mobilização para diferentes correntes, especialmente em anos eleitorais. O povo que ocupa a Avenida Paulista, seja em maior ou menor número, expressa uma parcela do debate público que não deve ser subestimada nem superestimada. O papel de quem observa esses eventos, seja pela imprensa, pela academia ou pelo poder público, é justamente evitar leituras apressadas e valorizar dados que possam ser verificados.
A repetição desses atos ano após ano também reforça a necessidade de transparência metodológica por parte de quem divulga estimativas de público. Divulgar não apenas o número final, mas a técnica utilizada, a margem de erro e o horário da captação de imagens, ajuda a qualificar o debate e a reduzir polêmicas estéreis sobre quem estaria certo ou errado. Em um cenário político marcado por polarização, esse tipo de rigor técnico é um serviço à sociedade, pois permite que cada cidadão forme sua própria opinião a partir de informações verificáveis, e não apenas de impressões passageiras compartilhadas nas redes sociais.
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Por fim, episódios como este mostram como a política e a ciência de dados podem caminhar juntas quando há compromisso com metodologia clara. Independentemente da leitura que cada observador faça do significado político do ato de 7 de setembro na Avenida Paulista, o exercício de medir com rigor, comparar anos anteriores e explicar publicamente os critérios utilizados é um exemplo de boa prática que outras instituições, inclusive as públicas, poderiam adotar com mais frequência ao lidar com dados sensíveis ao debate democrático.
Fontes consultadas
- https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/09/10/flavio-bolsonaro-candidato-do-pl-a-presidencia-faz-campanha-em-boa-vista.ghtml
- https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/09/09/flavio-bolsonaro-candidato-do-pl-a-presidencia-faz-campanha-em-juiz-de-fora-minas-gerais.ghtml
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