A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (11) confirma um cenário que já vinha se desenhando nas rodadas anteriores: a disputa pela Presidência da República segue marcada por forte equilíbrio nas simulações de segundo turno. Segundo o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 46% das intenções de voto contra 44% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois nomes estão tecnicamente empatados, repetindo os mesmos percentuais registrados na pesquisa anterior do instituto.

O empate não é resultado de uma oscilação pontual, mas de uma tendência que se mantém estável entre as duas últimas medições. Isso indica que o eleitorado consultado permanece dividido de forma consistente, sem grandes deslocamentos de um lado para o outro. Na simulação entre os dois nomes, 8% dos entrevistados disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos, enquanto 1% não soube responder — números que, somados, reforçam a leitura de um cenário ainda em aberto.
Chama atenção também o desempenho do escritor e candidato Augusto Cury (Avante) em outra simulação de segundo turno apresentada pelo instituto. Diante de Lula, Cury aparece com 43% contra 45% do presidente. A diferença de dois pontos também está dentro da margem de erro, o que caracteriza mais um empate técnico. Esse resultado coloca Augusto Cury na posição de segundo nome mais competitivo entre todos os testados pelo Datafolha, superado apenas por Flávio Bolsonaro na proximidade numérica com o atual presidente.
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Nos demais confrontos simulados, Lula mantém vantagem numérica mais folgada. Contra o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), o presidente aparece com 46% ante 41%. Na disputa com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o placar é de 48% a 39%. Já diante de Renan Santos (Missão), Lula registra 48% contra 37%. Ou seja, entre os nomes colocados frente a frente com o presidente nesta rodada, apenas Flávio Bolsonaro e Augusto Cury permanecem dentro da margem de empate técnico — um dado que separa claramente esses dois cenários dos demais testados.

É importante situar esses números dentro do desenho metodológico do levantamento. O Datafolha entrevistou 2.002 eleitores com 16 anos ou mais, entre os dias 8 e 10 de setembro, em 125 municípios do país. A margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, é o parâmetro técnico que baliza a leitura de qualquer diferença entre candidatos: quando o intervalo entre dois nomes é menor que essa margem, a diferença não pode ser tratada como vantagem real, e sim como empate estatístico. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01833/2026, conforme exige a legislação eleitoral para esse tipo de pesquisa.
Esse rigor metodológico não é um detalhe burocrático: é o que garante credibilidade a qualquer número divulgado. A leitura correta de uma pesquisa de opinião pública depende de profissionais qualificados — estatísticos, cientistas políticos e metodologistas com formação específica — capazes de desenhar amostras representativas, calcular margens de erro adequadas e interpretar variações dentro do intervalo de confiança. Da mesma forma, a fiscalização de processos eleitorais e a análise de dados públicos por parte do Poder Legislativo se beneficiam da consulta a especialistas técnicos, evitando que decisões e debates públicos se apoiem em leituras apressadas ou distorcidas de indicadores. É esse tipo de embasamento técnico que deve orientar qualquer diagnóstico sério sobre o comportamento do eleitorado, seja ele feito por institutos de pesquisa, por órgãos públicos ou por parlamentares no exercício de suas funções de acompanhamento e fiscalização.
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Do ponto de vista institucional, o fato de Lula e Flávio Bolsonaro empatam tecnicamente em rodadas sucessivas do mesmo instituto sugere que o eleitorado brasileiro segue processando informações e formando opinião de maneira gradual, sem rupturas abruptas. Esse tipo de estabilidade estatística costuma refletir um ambiente em que os eleitores já têm posições relativamente consolidadas sobre os principais protagonistas do cenário nacional, ainda que o desfecho de outubro dependa de fatores que só se revelam ao longo da campanha.
A presença de Augusto Cury como segundo nome mais competitivo, mesmo com trajetória política mais recente que a dos demais candidatos testados, também é um dado que merece registro sem, no entanto, permitir conclusões apressadas sobre viabilidade eleitoral. Pesquisas de intenção de voto são fotografias de um momento específico, sujeitas a variações à medida que o debate público avança e novos fatos se somam ao noticiário.
Diante desse cenário, cabe ao debate público — e também ao trabalho de fiscalização e acompanhamento exercido pelos parlamentares em suas respectivas esferas de atuação — observar com cautela a evolução desses números nas próximas semanas, sempre com base em dados verificáveis e na leitura técnica adequada, sem antecipar resultados que só o processo eleitoral, com todas as suas etapas, poderá definir.
Fontes consultadas
- https://exame.com/brasil/real-time-big-data-flavio-bolsonaro-tem-vantagem-de-7-pontos-sobre-lula-no-maior-colegio-eleitoral/
- https://datafolha.folha.uol.com.br/eleicoes/2026/09/em-minas-gerais-lula-pt-e-flavio-bolsonaro-pl-estao-tecnicamente-empatados-no-1o-turno.shtml
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