Quando surge um levantamento identificado com a marca CNT/MDA, a primeira atitude recomendada antes de comentar ou compartilhar qualquer número é buscar o registro oficial. O sistema criado para isso é o PesqEle, plataforma da Justiça Eleitoral onde as pesquisas eleitorais precisam estar cadastradas para poderem ser divulgadas legalmente durante o período de campanha.

Este texto não reproduz percentuais de nenhuma pesquisa específica, porque isso exigiria localizar o registro correspondente e confirmar cada campo obrigatório. O objetivo aqui é outro: explicar o procedimento público de consulta, para que qualquer eleitor, jornalista ou interessado possa fazer essa verificação por conta própria.
O que é o PesqEle e por que ele existe
O PesqEle é o sistema de divulgação de pesquisas eleitorais mantido pelo Tribunal Superior Eleitoral. Toda pesquisa eleitoral que será divulgada publicamente precisa estar registrada nessa plataforma, com informações detalhadas sobre quem a encomendou, quem a executou e como o trabalho foi feito. A ideia é permitir que o público confira a origem e a metodologia de um levantamento antes de tomar qualquer número como referência.
Segundo o próprio TSE, o cadastro é obrigatório até cinco dias antes da divulgação da pesquisa. Isso significa que, se uma pesquisa está circulando com a marca CNT/MDA, deve haver um registro correspondente no sistema, com prazo compatível com a data em que o resultado foi apresentado.
Passo a passo para consultar no PesqEle
A consulta pode ser feita diretamente no sistema de divulgação do TSE. O caminho sugerido é o seguinte:

- Acessar a página de pesquisas eleitorais do TSE e seguir para o sistema de listagem do PesqEle.
- Selecionar o pleito Eleições Gerais 2026 como referência temporal.
- Filtrar por abrangência: Brasil, quando a pesquisa é nacional, ou a unidade da Federação específica, quando o levantamento é estadual.
- Buscar pelo nome da empresa responsável pela pesquisa ou, quando disponível, pelo número identificador do registro.
- Abrir o registro encontrado e conferir cada campo informado.
Esse procedimento é público e pode ser repetido por qualquer pessoa, sem necessidade de cadastro ou autorização prévia.
Campos que merecem atenção antes de compartilhar
Localizar o registro é apenas o primeiro passo. O conteúdo do registro é o que permite avaliar a confiabilidade do que está sendo divulgado. Entre os campos que devem ser observados estão:
- Contratante: quem encomendou e pagou pela pesquisa.
- Datas de campo: período em que as entrevistas foram efetivamente realizadas.
- Data de divulgação: quando o resultado foi tornado público, para verificar se está dentro do prazo regulamentar em relação ao registro.
- Número de entrevistados: tamanho da amostra utilizada.
- Metodologia: forma de coleta, se presencial, telefônica ou outra.
- Plano amostral: como os entrevistados foram selecionados e distribuídos.
- Ponderações: ajustes estatísticos aplicados aos dados coletados.
- Margem de erro e intervalo de confiança: parâmetros que indicam a precisão estatística do resultado.
- Questionário: as perguntas exatas feitas aos entrevistados.
Sem esses elementos, não é possível avaliar corretamente o alcance e os limites de uma pesquisa eleitoral, seja ela associada à marca CNT/MDA ou a qualquer outra entidade.
O papel do TSE: cadastro obrigatório, sem endosso de conteúdo
É importante entender os limites da atuação da Justiça Eleitoral nesse processo. O TSE esclarece que o cadastro no PesqEle é obrigatório, mas isso não significa que o órgão valide ou endosse as conclusões da pesquisa. Não há controle prévio sobre o resultado divulgado: o sistema garante transparência sobre quem fez, como fez e quando fez, mas a análise da qualidade metodológica e da interpretação dos números cabe a quem consulta o registro.
Essa distinção evita um equívoco comum: acreditar que a simples presença de uma pesquisa no PesqEle garante que seus resultados estão corretos. O que o sistema garante é a rastreabilidade das informações declaradas pela empresa responsável.

Contratante, empresa executora e veículo divulgador são coisas diferentes
Um ponto frequentemente confundido é a diferença entre três agentes distintos em qualquer pesquisa eleitoral:
- Quem contrata e paga: a entidade, empresa ou pessoa que encomenda o levantamento.
- Quem executa: o instituto de pesquisa responsável pela coleta de dados, pela metodologia e pelo registro no PesqEle.
- Quem divulga: o veículo de comunicação ou canal que noticia o resultado ao público.
Quando uma pesquisa aparece com a marca CNT/MDA, essa marca pode estar associada a um ou mais desses papéis, mas isso precisa ser confirmado no registro, e não assumido apenas pelo nome que circula nas redes ou na imprensa. O contratante nem sempre é quem divulga, e o veículo que noticia nem sempre é o mesmo que executou a coleta de dados.
Dados abertos como fonte complementar
Além da consulta direta no sistema de divulgação, o TSE também disponibiliza bases de dados abertos sobre pesquisas eleitorais referentes ao pleito de 2026. Esse tipo de base pode ser útil para quem deseja cruzar informações de forma mais ampla, especialmente ao comparar múltiplos registros ou acompanhar o volume de pesquisas cadastradas ao longo do período eleitoral.
Por que essa verificação importa
Divulgar ou comentar uma pesquisa eleitoral sem antes localizar seu registro no PesqEle é um risco: números podem estar desatualizados, mal atribuídos ou mesmo inexistentes no sistema oficial. A verificação direta na fonte evita a propagação de informações que não podem ser confirmadas e ajuda a manter o debate público baseado em dados verificáveis, e não em repostagens sem checagem.
Antes de compartilhar qualquer resultado atribuído à marca CNT/MDA, o caminho mais seguro é sempre o mesmo: abrir o PesqEle, localizar o registro correspondente e conferir, um a um, os campos que sustentam a validade técnica da pesquisa eleitoral.
Fontes consultadas
- https://www.tse.jus.br/eleicoes/pesquisas-eleitorais
- https://pesqele-divulgacao.tse.jus.br/app/pesquisa/listar.xhtml
- https://dadosabertos.tse.jus.br/dataset/pesquisas-eleitorais-2026
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