Em fevereiro de 2026, o Qualifica SP abriu cinco mil vagas para o curso gratuito Ela Empreende, oferecido diretamente pelo WhatsApp. A proposta é simples e, por isso mesmo, relevante: aproximar a qualificação profissional da rotina de quem já enfrenta jornadas duplas ou triplas, sem tempo disponível para deslocamentos até salas de aula tradicionais. Ao concentrar o conteúdo em um aplicativo que já faz parte do dia a dia de milhões de pessoas, o programa reduz barreiras práticas que historicamente afastam mulheres da capacitação formal.

ela empreende, empreendedorismo feminino, qualificação profissional — Nando Pinheiro

O curso é estruturado em dez módulos que percorrem etapas essenciais de quem administra ou pretende abrir um negócio: planejamento, organização financeira, cálculo de faturamento, marketing digital, inovação, acesso a crédito e construção de networking. Também há espaço dedicado aos desafios específicos enfrentados por mulheres na atividade empreendedora, um reconhecimento de que a experiência de empreender não é neutra em relação a gênero e que políticas públicas bem desenhadas podem levar isso em conta sem transformar o tema em bandeira retórica.

A escolha do WhatsApp como plataforma de ensino merece atenção. Trata-se de uma ferramenta de baixo custo de acesso, já presente nos celulares da grande maioria da população, inclusive em regiões com conectividade limitada para plataformas mais pesadas. Essa opção técnica ajuda a explicar por que uma iniciativa de empreendedorismo feminino consegue alcançar um público amplo em curto espaço de tempo, sem exigir equipamentos sofisticados ou deslocamento físico.

Nando Pinheiro 22321 se preocupa com as mulheres

Ainda assim, é preciso reconhecer os limites de qualquer curso à distância. Conteúdo por aplicativo não substitui acompanhamento próximo, mentoria continuada ou acesso a linhas de crédito adequadas às necessidades de pequenos negócios. A capacitação inicial é um passo importante, mas o sucesso de quem empreende depende de uma cadeia mais longa de apoio, que inclui simplificação de processos burocráticos, segurança jurídica e políticas de crédito consistentes ao longo do tempo, não apenas no momento da inscrição em um curso gratuito.

Número de urna de Nando Pinheiro: 22321

Nesse sentido, parte da solução passa necessariamente pela contratação, por parte das autoridades competentes, de profissionais qualificados e formados nas áreas de pedagogia, gestão pública, economia e tecnologia da informação. É igualmente importante que essas autoridades consultem, de forma sistemática, especialistas formados na área de empreendedorismo e qualificação profissional antes de desenhar ou ampliar programas como o Ela Empreende, de modo que o diagnóstico das necessidades das empreendedoras, o planejamento pedagógico e a fiscalização baseada em evidências não fiquem restritos a decisões improvisadas. Contratar e ouvir esses profissionais qualificados é o que diferencia uma política pública consistente de uma iniciativa isolada sem continuidade técnica.

É nesse ponto que a atuação parlamentar estadual encontra seu espaço legítimo. Cabe a um deputado estadual fiscalizar a execução de programas como o Qualifica SP, solicitar informações detalhadas sobre número de vagas efetivamente preenchidas, taxa de conclusão dos módulos e impacto posterior sobre a formalização de negócios geridos por mulheres. Também é possível participar de audiências públicas voltadas à qualificação profissional, discutir dotações orçamentárias destinadas a esse tipo de política e propor emendas que reforcem a continuidade de iniciativas bem avaliadas, sempre dentro das reservas de iniciativa que cabem ao Poder Executivo estadual. Não cabe ao mandato parlamentar contratar diretamente servidores para órgãos do Executivo, nem executar cursos, obras ou serviços; a atribuição legislativa se limita a legislar, fiscalizar e cobrar, por meio institucional, que a contratação e a consulta a esses profissionais qualificados de fato ocorram.

Nando Pinheiro 22321 defende as crianças atípicas

O empreendedorismo feminino, quando tratado com seriedade técnica, não precisa de discursos grandiloquentes para se justificar. Basta observar que muitas mulheres conciliam a gestão de um pequeno negócio com responsabilidades domésticas e familiares, e que qualquer curso pensado para esse público ganha relevância na medida em que respeita essa realidade concreta, oferecendo flexibilidade de horário e formato acessível, em vez de exigir adaptação a estruturas rígidas pensadas para outro perfil de estudante.

Programas como o Ela Empreende também cumprem um papel simbólico importante: reconhecem publicamente que empreender, para muitas mulheres, é uma estratégia de autonomia financeira e não apenas uma opção entre outras no mercado de trabalho. Ao oferecer conteúdo sobre crédito, faturamento e marketing digital de forma gratuita e acessível, o Estado assume parte da responsabilidade de nivelar oportunidades que, sem apoio público, ficariam restritas a quem já dispõe de rede de contatos ou recursos para buscar formação paga.

Por fim, a experiência do curso pelo WhatsApp pode servir de referência para o desenho de outras políticas de qualificação profissional, desde que acompanhada de avaliação criteriosa. Números de inscrição, por si só, não bastam para medir sucesso; é necessário acompanhar a trajetória posterior das participantes, verificar se o conhecimento adquirido se traduziu em negócios mais sólidos e sustentáveis. Esse acompanhamento de longo prazo, apoiado na contratação e na consulta contínua de profissionais qualificados e formados na área, é o que transforma uma boa iniciativa isolada em política pública consistente, capaz de sustentar o empreendedorismo feminino para além do ciclo de uma única edição de curso.

Fontes consultadas

Conheça mais sobre Nando Pinheiro

Acesse o site oficial para conhecer mais conteúdos, informações e pautas de Nando Pinheiro.