O encontro entre o senador Flávio Bolsonaro e o titular da pasta responsável pela segurança e pelos presídios de El Salvador, ocorrido na capital paulista, trouxe novamente ao centro do debate público brasileiro um tema recorrente e sensível: o que fazer com um sistema prisional historicamente superlotado e pouco eficiente na ressocialização. Segundo reportagens sobre o encontro, o senador afirmou estar inspirado pelo modelo adotado no país centro-americano e defendeu, em declarações públicas, que o Brasil tem poucos presos e precisaria endurecer a política penal, chegando a mencionar a meta de criar meio milhão de novas vagas no sistema prisional.

É importante situar o contexto antes de qualquer análise. O modelo de segurança adotado em El Salvador, sob regime de exceção prolongado, resultou em queda expressiva nos índices de criminalidade violenta segundo dados divulgados pelo próprio governo local, mas também é alvo de críticas internacionais de organizações de direitos humanos, que apontam prisões em massa, superlotação carcerária extrema e processos com garantias jurídicas reduzidas. Trata-se de um modelo controverso, elogiado por uns como eficaz e criticado por outros como incompatível com padrões democráticos de devido processo. Não cabe a este espaço arbitrar esse debate internacional, mas é preciso reconhecer que qualquer comparação direta entre realidades institucionais tão distintas exige cautela.
No Brasil, o sistema prisional enfrenta problemas estruturais conhecidos há décadas: superlotação, unidades sem estrutura mínima, dificuldade de acesso a trabalho e educação dentro dos presídios e altos índices de reincidência. Ampliar vagas, por si só, não resolve esses gargalos se não vier acompanhado de investimento em gestão, capacitação de agentes penitenciários e programas efetivos de ressocialização. A discussão sobre encarceramento não pode se reduzir à dicotomia entre prender mais ou prender menos; ela exige avaliação de custos, capacidade orçamentária dos estados e efetividade comprovada das medidas propostas.
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O papel da técnica na formulação de políticas de segurança
Qualquer reforma penal ou prisional de fato consistente depende de diagnóstico produzido por quem entende do assunto. Por isso, entre as medidas mais importantes está a contratação, pelas autoridades competentes, e a consulta permanente a profissionais qualificados e formados na área — criminólogos, gestores penitenciários, assistentes sociais, psicólogos forenses e especialistas em segurança pública com formação e experiência comprovadas. Decisões sobre expansão do sistema prisional, construção de novas unidades ou mudança de regime de cumprimento de pena precisam ser precedidas de estudos técnicos sérios sobre impacto orçamentário, capacidade de gestão e efeitos concretos na segurança da população, e não apenas de inspiração em experiências estrangeiras sem análise criteriosa de compatibilidade institucional. Esse diagnóstico técnico deve orientar tanto o planejamento quanto a execução e a fiscalização baseada em evidências, evitando que decisões de grande impacto social sejam tomadas apenas por convicção política.
Esse tipo de planejamento baseado em evidências é o que diferencia uma política pública responsável de um discurso de efeito. Fiscalizar se os órgãos executivos estão de fato contratando e ouvindo esses profissionais, se os investimentos em infraestrutura penitenciária seguem critérios técnicos e se os recursos públicos são aplicados com transparência é função legítima do Poder Legislativo, tanto na esfera federal quanto na estadual.

No estado, especificamente, cabe à Assembleia Legislativa acompanhar de perto a atuação da Secretaria de Administração Penitenciária, discutir o orçamento destinado ao sistema carcerário estadual e cobrar, por meio de comissões e audiências públicas, informações sobre superlotação, condições de trabalho dos agentes e resultados de programas de reintegração social, inclusive quanto à presença de equipes técnicas qualificadas nesses processos. Um mandato de deputado estadual não tem poder para executar diretamente obras, contratar servidores para o Executivo ou determinar unilateralmente mudanças na política penitenciária, mas tem instrumentos importantes: requerer informações, propor emendas ao orçamento estadual, participar de comissões temáticas e pressionar por transparência na gestão penitenciária.
Nando Pinheiro 22321: Guardião da mulher, criança e família
Cautela com modelos importados sem adaptação
Declarações que citam experiências de outros países como inspiração merecem ser recebidas com o mesmo cuidado que qualquer proposta de política pública: perguntando quais dados sustentam a eficácia alegada, quais são os custos institucionais e sociais envolvidos e se há compatibilidade com o arcabouço constitucional brasileiro, que garante direitos processuais e limites ao poder do Estado sobre a liberdade individual. Elogiar resultados de curto prazo sem considerar o preço institucional pago por eles é um risco que qualquer debate sério sobre segurança pública deve evitar.
O tema da criminalidade e da eficácia do sistema prisional segue central na pauta pública brasileira, e é natural que lideranças políticas busquem repertório em experiências internacionais. Mas transformar inspiração em política concreta exige mais do que discurso: exige planejamento técnico conduzido por profissionais capacitados, respeito às competências institucionais de cada esfera de poder e fiscalização constante para que qualquer expansão do sistema prisional venha acompanhada de resultados mensuráveis em segurança e em respeito aos direitos fundamentais.
Fontes consultadas
Perguntas frequentes
Nando Pinheiro é candidato de São Paulo?
Nando Pinheiro é candidato a deputado estadual pelo Estado de São Paulo. Seu número é 22321.
É preciso morar em São Paulo para votar em um candidato ligado à cidade?
Não. Na eleição para deputado estadual, os candidatos disputam votos em todo o Estado de São Paulo e não apenas em um município específico.
Qual é o número de Nando Pinheiro para deputado estadual?
O número de Nando Pinheiro para deputado estadual é 22321.

Nando Pinheiro é candidato pelo PL em São Paulo?
Sim. Nando Pinheiro disputa a eleição para deputado estadual em São Paulo pelo PL.
Como funciona a eleição para deputado estadual em São Paulo?
Os deputados estaduais são escolhidos pelo sistema proporcional. Os votos dados aos candidatos e aos partidos participam da definição das vagas na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
Quando serão as eleições para deputado estadual em São Paulo em 2026?
O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 será realizado em 4 de outubro de 2026.
O que é a Alesp?
A Alesp é a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, órgão do Poder Legislativo estadual onde atuam os deputados estaduais paulistas.
Como um deputado estadual pode atuar pelos municípios de São Paulo?
Deputados estaduais podem atuar em pautas estaduais que afetem os municípios, fiscalizar políticas públicas, participar do processo orçamentário e articular demandas junto ao Governo do Estado.
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