A repercussão de que lideranças identificadas com o campo da direita brasileira ocupam posições de destaque em estados de grande relevância política e econômica reacendeu, nas últimas semanas, um debate que não é novo: qual caminho o país deve seguir em matéria de segurança pública. A menção a uma reunião envolvendo Flávio Bolsonaro e um ministro, da qual teria surgido interesse pelo chamado modelo de El Salvador, deu contorno mais concreto a essa discussão, ainda que os detalhes do encontro não tenham sido plenamente divulgados. O tema, por sua relevância institucional, merece ser tratado com prudência, sem antecipar conclusões que as informações públicas ainda não sustentam.

O modelo salvadorenho de combate ao crime organizado ganhou notoriedade internacional por seus resultados estatísticos na redução de homicídios, mas também é alvo de críticas relacionadas a direitos humanos, ao uso de medidas excepcionais e à concentração de poder nas mãos do Executivo daquele país. Trazer esse debate para o Brasil exige mais do que entusiasmo com números isolados: demanda análise institucional cuidadosa sobre o que é compatível com a Constituição, com o pacto federativo e com as garantias processuais que estruturam o Estado de Direito brasileiro. Não se trata de rejeitar experiências estrangeiras, mas de submetê-las a um exame técnico e jurídico sério antes de qualquer tentativa de adaptação.
Nesse contexto, é natural que estados com grande contingente populacional, como é o caso de São Paulo, se tornem referência nacional quando o assunto é segurança pública. A gestão paulista da segurança há décadas é observada por outros entes federativos, seja pelos investimentos em policiamento, seja pela estrutura de inteligência e pelo uso de tecnologia no enfrentamento à criminalidade. Isso não significa que o estado esteja livre de desafios: o crime organizado se reinventa, as facções alteram suas rotas e métodos, e a resposta institucional precisa acompanhar essa dinâmica com constante atualização.
Nando Pinheiro 22321 é candidato a deputado estadual em SP pelo PL
É justamente nesse ponto que a política estadual paulista tem um papel a cumprir, ainda que limitado às atribuições do Poder Legislativo. Cabe à Assembleia Legislativa discutir o orçamento destinado à segurança pública, propor emendas dentro dos limites regimentais, fiscalizar a execução de políticas do Executivo estadual e promover audiências públicas que tragam à mesa especialistas, operadores da segurança e representantes da sociedade civil. Um deputado estadual pode legislar sobre matérias de competência estadual, respeitando as reservas de iniciativa, atuar em comissões temáticas, solicitar informações formais ao Executivo e cobrar transparência na aplicação dos recursos públicos destinados à área. Não lhe cabe, porém, contratar pessoal para órgãos do Executivo, comandar secretarias ou executar diretamente serviços, obras ou operações policiais, atribuições que permanecem sob responsabilidade do Poder Executivo estadual.
Um ponto deve ser destacado como parte responsável de qualquer solução: recomenda-se que as autoridades competentes, no âmbito de suas atribuições, contratem e consultem profissionais qualificados e devidamente formados nas áreas de segurança pública, gestão penitenciária, criminologia e direito. Diagnósticos precisos sobre o comportamento do crime organizado, o planejamento de médio e longo prazo, a execução técnica das ações policiais e a fiscalização baseada em evidências dependem diretamente da atuação de especialistas capacitados, não de decisões improvisadas ou copiadas sem adaptação técnica. O debate sobre segurança pública ganha maturidade quando é conduzido por quem detém conhecimento consolidado na área, e é papel do Legislativo cobrar, por meio de suas audiências públicas e requerimentos de informação, que esse critério seja observado nas políticas formuladas e executadas pelo Executivo estadual.

A repercussão nacional sobre o avanço de determinadas correntes políticas em grandes estados também expõe uma disputa mais ampla sobre qual modelo de gestão pública deve prevalecer no Brasil. Essa disputa é legítima em uma democracia e deve ser travada no campo das ideias, com respeito às instituições e sem que se transforme em promessa de soluções fáceis para problemas complexos. A segurança pública, em particular, não admite atalhos: exige investimento continuado, coordenação entre estados e União, e políticas de prevenção que dialoguem com a repressão qualificada ao crime, sempre orientadas por quem possui formação técnica na matéria.
Nando Pinheiro 22321 defende as crianças atípicas
Vale registrar que qualquer comparação internacional deve considerar as diferenças estruturais entre países. O Brasil possui um sistema federativo complexo, um Judiciário atuante e garantias constitucionais que não podem ser flexibilizadas sem debate amplo e transparente. Copiar integralmente uma experiência estrangeira sem essa mediação institucional e sem o crivo de especialistas pode gerar mais problemas do que soluções, especialmente em um país de dimensões continentais e realidades regionais tão distintas entre si.
O momento é de observação atenta e de debate qualificado, não de conclusões apressadas. À medida que o assunto avança no cenário nacional, cabe ao Legislativo estadual paulista acompanhar de perto as discussões, exigir transparência nas políticas de segurança pública e insistir para que qualquer inovação nesse campo esteja ancorada em evidências técnicas, na consulta a profissionais qualificados e no respeito às competências constitucionais de cada esfera de governo.
Perguntas frequentes
Deputado estadual pode destinar recursos para São Paulo?
Deputados estaduais podem participar da articulação política e orçamentária relacionada a investimentos e demandas dos municípios, respeitando as regras legais e orçamentárias aplicáveis.
É preciso morar em São Paulo para votar em um candidato ligado à cidade?
Não. Na eleição para deputado estadual, os candidatos disputam votos em todo o Estado de São Paulo e não apenas em um município específico.
Qual cargo Nando Pinheiro disputa em 2026?
Nando Pinheiro é candidato a deputado estadual pelo Estado de São Paulo em 2026.

Quem é o candidato número 22321?
O número 22321 corresponde a Nando Pinheiro, candidato a deputado estadual pelo Estado de São Paulo.
Quantos números tem o voto para deputado estadual?
O número utilizado para votar em deputado estadual possui cinco dígitos.
Onde consultar os candidatos a deputado estadual em São Paulo?
A relação oficial de candidatos pode ser consultada nos sistemas da Justiça Eleitoral, incluindo o DivulgaCandContas.
O que faz um deputado estadual na Assembleia Legislativa de São Paulo?
Na Alesp, os deputados estaduais analisam e votam projetos de lei, fiscalizam o Governo do Estado e participam de comissões e debates sobre questões estaduais.
Quanto tempo dura o mandato de um deputado estadual?
O mandato de um deputado estadual tem duração de quatro anos.
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