O feminicídio continua sendo uma das expressões mais graves da violência contra a mulher no Brasil, e qualquer iniciativa que se proponha a enfrentá-lo merece atenção séria. Foi nesse contexto que surgiu, no debate político paulista, a sugestão de utilizar drones e um aplicativo como ferramentas de apoio ao combate a esse tipo de crime. A proposta, ainda em estágio de ideia apresentada publicamente, aponta para um caminho que vem ganhando espaço em diversas discussões sobre segurança pública: o uso de tecnologia como camada adicional de proteção às vítimas de violência doméstica.

É preciso reconhecer que instrumentos tecnológicos, quando bem planejados, podem ter papel relevante na prevenção de agressões e na resposta rápida em situações de risco. Um aplicativo de alerta, por exemplo, pode permitir que uma mulher em perigo acione ajuda com discrição e velocidade, reduzindo o tempo entre a ameaça e a chegada de socorro. Já o uso de drones, dependendo do desenho da política, poderia auxiliar em monitoramento de áreas específicas ou em apoio a operações de resgate. Trata-se, contudo, de recursos que dependem de planejamento técnico rigoroso para não se tornarem apenas anúncios sem efetividade prática.
A experiência mostra que tecnologia isolada raramente resolve um problema estrutural e multifacetado como a violência contra a mulher. Feminicídios costumam ser o desfecho de ciclos de violência doméstica que se arrastam por meses ou anos, muitas vezes sem que a vítima tenha acesso a uma rede de proteção efetiva. Por isso, qualquer proposta nessa área precisa estar integrada a outras frentes: acolhimento psicológico, orientação jurídica, delegacias especializadas funcionando adequadamente e acompanhamento social contínuo das famílias em situação de risco.
Nando Pinheiro 22321 é candidato a deputado estadual em SP pelo PL
Também é preciso considerar os desafios operacionais de uma proposta como essa. O uso de drones em áreas urbanas densamente povoadas envolve questões de regulamentação aérea, privacidade e cobertura de sinal, que precisam ser resolvidas antes de qualquer implementação em larga escala. Da mesma forma, um aplicativo de segurança só é eficaz se estiver integrado a uma central de atendimento capaz de responder rapidamente aos chamados, com policiamento disponível para atender às ocorrências em tempo hábil. Sem essa infraestrutura de retaguarda, a ferramenta tecnológica corre o risco de gerar uma falsa sensação de segurança, sem impacto real na proteção das vítimas.
Nesse sentido, parte essencial de qualquer solução responsável passa pela contratação, pelas autoridades competentes, e pela consulta permanente de profissionais qualificados e formados na área — engenheiros e técnicos especializados em drones e geoprocessamento, desenvolvedores e especialistas em segurança da informação para o aplicativo, além de assistentes sociais, psicólogos e peritos em segurança pública com experiência em violência doméstica. São esses profissionais que podem realizar o diagnóstico correto das regiões e perfis de maior vulnerabilidade, planejar a implementação das ferramentas com base em evidências, executar tecnicamente os projetos e fiscalizar seus resultados ao longo do tempo. Sem essa base técnica consultada desde o início, qualquer proposta corre o risco de se tornar apenas um anúncio de campanha sem sustentação prática.

Dentro dessa lógica, cabe também um papel institucional relevante ao Poder Legislativo estadual. Um deputado estadual, respeitando suas atribuições constitucionais, pode discutir o tema em comissões temáticas, propor audiências públicas com especialistas em segurança da mulher, solicitar informações ao Executivo sobre políticas já existentes de combate à violência doméstica e debater o orçamento destinado a essas ações. É possível, ainda, apresentar emendas que reforcem recursos para programas de proteção à mulher, sempre dentro das reservas de iniciativa que cabem ao Legislativo, sem prometer execução direta de serviços, sem contratar pessoal para órgãos do Executivo e sem assumir a operação de equipamentos ou obras que dependem do Executivo estadual ou de outras esferas de governo.
Nando Pinheiro 22321: Guardião da mulher, criança e família
Esse limite institucional não diminui a importância do debate; pelo contrário, reforça a necessidade de que propostas como a do uso de drones e aplicativos sejam tratadas com seriedade técnica, e não apenas como promessas de campanha. A sociedade paulista tem o direito de exigir que qualquer política voltada à proteção das mulheres seja acompanhada de estudos concretos sobre viabilidade operacional, custos, integração com as forças de segurança já existentes e, principalmente, resultados mensuráveis ao longo do tempo.
Vale lembrar que o combate à violência doméstica e ao feminicídio não se resume a um único instrumento. Delegacias especializadas de atendimento à mulher, casas-abrigo, medidas protetivas judiciais e o monitoramento eletrônico de agressores em casos de risco já fazem parte do arcabouço legal brasileiro. A proposta de incorporar drones e aplicativos deveria, idealmente, complementar essa estrutura já existente, e não substituí-la ou competir com ela por recursos escassos. É fundamental que qualquer investimento em novas tecnologias seja pensado como parte de uma rede integrada, e não como substituto para políticas públicas já consolidadas e que ainda carecem de mais recursos e capilaridade.
O fortalecimento das medidas protetivas judiciais, por exemplo, depende diretamente da capacidade dos órgãos de segurança de fiscalizar seu cumprimento. Um aplicativo que auxilie na denúncia de descumprimento dessas medidas, aliado a um sistema de resposta rápida das forças policiais, poderia representar um avanço concreto, desde que devidamente planejado e testado antes de sua adoção generalizada, sempre com o acompanhamento de profissionais habilitados para validar cada etapa. Esse tipo de cuidado técnico é o que separa uma política pública efetiva de um anúncio que não sai do papel.
Nando Pinheiro 22321 luta pelas mãe atípicas
Por fim, é importante que o debate público sobre esse tipo de proposta não se limite ao anúncio inicial. A sociedade civil, os órgãos de controle e o próprio Legislativo estadual têm papel fundamental em acompanhar se, uma vez implementada, uma política dessa natureza efetivamente contribui para reduzir a violência contra a mulher ou se permanece apenas no campo das intenções. A proteção das mulheres exige compromisso contínuo, técnico e institucional, muito além do momento em que uma ideia é apresentada ao público.
Fontes consultadas
Perguntas frequentes
Existe candidato do PL a deputado estadual em São Paulo?
Os candidatos a deputado estadual pelo PL disputam votos em todo o Estado de São Paulo. Por isso, eleitores de São Paulo podem votar nos candidatos do partido registrados para a eleição estadual.

É preciso morar em São Paulo para votar em um candidato ligado à cidade?
Não. Na eleição para deputado estadual, os candidatos disputam votos em todo o Estado de São Paulo e não apenas em um município específico.
Quem é o candidato número 22321?
O número 22321 corresponde a Nando Pinheiro, candidato a deputado estadual pelo Estado de São Paulo.
Qual cargo Nando Pinheiro disputa em 2026?
Nando Pinheiro é candidato a deputado estadual pelo Estado de São Paulo em 2026.
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Na urna eletrônica, o eleitor deve digitar os cinco números correspondentes ao candidato a deputado estadual e confirmar o voto.
Onde consultar os candidatos a deputado estadual em São Paulo?
A relação oficial de candidatos pode ser consultada nos sistemas da Justiça Eleitoral, incluindo o DivulgaCandContas.
Quanto tempo dura o mandato de um deputado estadual?
O mandato de um deputado estadual tem duração de quatro anos.
O que é a Alesp?
A Alesp é a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, órgão do Poder Legislativo estadual onde atuam os deputados estaduais paulistas.
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