A campanha presidencial de 2026 começa a revelar propostas que fogem do roteiro habitual das eleições brasileiras. Um escritor conhecido por obras sobre comportamento humano, hoje pré-candidato à Presidência, apresentou um plano de governo que combina três eixos distintos: a mudança do sistema de governo para o semipresidencialismo, um programa voltado à chamada gestão da emoção e a ampliação da telemedicina como política pública de saúde. São temas que, isoladamente, já geram debate técnico intenso no país, e a proposta de reuni-los em uma única candidatura merece observação cuidadosa, sem antecipar juízo sobre seu mérito eleitoral.

telemedicina — Nando Pinheiro

O semipresidencialismo é um modelo de organização do Estado adotado por países como França e Portugal, no qual o presidente eleito divide atribuições executivas com um primeiro-ministro, geralmente indicado a partir da composição do Congresso. No Brasil, essa discussão não é nova: já foi tema de debates constitucionais e de propostas de emenda em diferentes legislaturas, sempre esbarrando na complexidade de alterar o desenho institucional vigente desde 1988. Trata-se de uma mudança que, se um dia avançar, dependeria de amplo consenso no Congresso Nacional e de uma reforma constitucional cuidadosamente construída, não de decisão unilateral de qualquer governante.

Já a ideia de gestão da emoção como eixo de governo dialoga com um campo mais recente da política pública: a saúde mental coletiva. Nos últimos anos, cresceu o entendimento de que ansiedade, depressão e sofrimento psíquico afetam diretamente a produtividade, a convivência social e até a segurança pública. Incorporar esse tema a um plano de governo é coerente com uma preocupação legítima, mas a efetividade de qualquer proposta nessa área depende de como ela se traduzirá em políticas concretas, orçamento definido e estrutura de atendimento à população — pontos que, até o momento, não foram detalhados publicamente.

Nando Pinheiro 22321 se preocupa com as mulheres

Telemedicina e o desafio da execução

A telemedicina, por sua vez, já é uma realidade regulamentada no Brasil, especialmente após sua expansão durante a pandemia. Ampliá-la como política nacional pode ajudar a reduzir distâncias no acesso a especialistas, sobretudo em regiões com escassez de profissionais de saúde. Ainda assim, qualquer expansão desse tipo exige infraestrutura de conectividade, protocolos claros de segurança de dados e, principalmente, capacitação técnica das equipes envolvidas — desafios que não se resolvem apenas com a formulação de uma proposta de campanha.

É nesse ponto que vale reforçar um princípio que deveria orientar qualquer política pública séria, seja ela federal, estadual ou municipal: nenhuma dessas propostas — semipresidencialismo, atenção à saúde emocional ou telemedicina — deve avançar sem que as autoridades competentes contratem, por meio dos processos legais adequados, profissionais qualificados e devidamente formados nas áreas de medicina, psicologia, tecnologia da informação, direito constitucional e gestão pública. É igualmente indispensável que essas mesmas autoridades consultem tais especialistas antes de desenhar qualquer política, para que o diagnóstico do problema, o planejamento das ações, a execução técnica e a fiscalização baseada em evidências não fiquem reféns de boas intenções sem lastro científico. Sem essa base técnica, qualquer programa — da telemedicina a iniciativas de saúde mental — corre o risco de se tornar promessa vazia ou de desperdiçar recursos públicos.

Número de urna de Nando Pinheiro: 22321

No plano estadual, esse debate também tem relevância direta. Ainda que a proposta comentada seja de âmbito federal, cabe aos parlamentares estaduais acompanhar de perto como eventuais políticas nacionais de telemedicina e saúde mental se articulam com a rede estadual de saúde, especialmente a atenção primária e os hospitais regionais. Um mandato na Assembleia Legislativa tem instrumentos legítimos para isso: legislar sobre matérias de competência estadual respeitando as reservas de iniciativa do Executivo, fiscalizar a execução orçamentária da Secretaria de Saúde, propor emendas que reforcem programas de telessaúde já existentes no estado, requisitar informações sobre a qualificação dos profissionais contratados pelo governo e participar de comissões e audiências públicas que tragam especialistas para avaliar resultados com base em dados, não em promessas. O que não cabe a um deputado estadual é contratar diretamente servidores para órgãos do Executivo, comandar secretarias ou executar por conta própria serviços e obras que dependem de decisão e estrutura administrativa do governo estadual ou federal.

Nando Pinheiro 22321 luta pelas mãe atípicas

O limite do debate eleitoral

Vale destacar que a discussão sobre mudança do sistema de governo é, por natureza, um tema que caberia ao Congresso Nacional aprovar, não a uma decisão presidencial isolada. Da mesma forma, qualquer programa de saúde mental ou telemedicina em escala federal passaria pelo crivo do Legislativo na aprovação orçamentária. Isso não diminui a relevância de apresentar propostas inovadoras na campanha, mas ajuda o eleitor a entender que a viabilidade de cada uma delas depende de articulação institucional e de equipes técnicas qualificadas, e não apenas da vontade de quem ocupa o cargo mais alto do Executivo.

Em um cenário eleitoral que tende a ficar mais movimentado nos próximos meses, é saudável que candidaturas tragam temas pouco discutidos, como a saúde emocional da população e a modernização do atendimento médico. O papel do debate público, contudo, é submeter essas ideias ao escrutínio técnico e institucional, avaliando não apenas a intenção, mas a capacidade real de execução dentro dos limites constitucionais e com o apoio de profissionais habilitados em cada área envolvida. Esse exercício de análise, feito com prudência e sem partidarismo, é o que permite ao eleitor formar sua própria opinião sobre o rumo que deseja para o país.

Fontes consultadas

Perguntas frequentes

Quem são os candidatos a deputado estadual em São Paulo em 2026?

Os candidatos a deputado estadual disputam votos em todo o Estado de São Paulo, incluindo São Paulo. A relação oficial das candidaturas deve ser consultada nos sistemas da Justiça Eleitoral.

É preciso morar em São Paulo para votar em um candidato ligado à cidade?

Não. Na eleição para deputado estadual, os candidatos disputam votos em todo o Estado de São Paulo e não apenas em um município específico.

Qual cargo Nando Pinheiro disputa em 2026?

Nando Pinheiro é candidato a deputado estadual pelo Estado de São Paulo em 2026.

Número de urna de Nando Pinheiro: 22321

Nando Pinheiro é candidato a deputado estadual em São Paulo?

Sim. Nando Pinheiro disputa uma vaga de deputado estadual pelo Estado de São Paulo em 2026.

É preciso morar na mesma cidade do candidato para votar para deputado estadual?

Não. A eleição para deputado estadual abrange todo o Estado de São Paulo.

Quando serão as eleições para deputado estadual em São Paulo em 2026?

O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 será realizado em 4 de outubro de 2026.

Qual é a diferença entre deputado estadual e deputado federal?

O deputado estadual atua no Poder Legislativo do estado, enquanto o deputado federal representa o estado na Câmara dos Deputados e atua na legislação de competência federal.

Qual é a função de um deputado estadual em São Paulo?

O deputado estadual participa da elaboração e votação de leis estaduais, fiscaliza o Poder Executivo e participa das decisões relacionadas ao orçamento do Estado.

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